quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Resenha: Caos Codificado - AlkanzA (2019)

Formada 2013 na cidade de Laguna, litoral catarinense, o AlkanzA com o tempo criou raízes na cidade vizinha, na metropolitana Tubarão/SC. Onde a banda procurou estar mais centralizada das grandes cidades e com melhor planejamento, para cumprir agenda e compromissos, burocracias que toda banda tem. Muitas trocas de integrantes ocorreram, mas o pulmão permaneceu sempre, Thiago Bonazza, que passou por vocais, baixo, guitarra e só (por pouco) não tocou bateria. 





Falo de peito aberto, que o AlkanzA foi a banda que me 'incentivou' indiretamente a começar a ouvir Thrash Metal e assim, sucessivamente outras vertentes extremas do Metal. Tudo isso por um simples motivo: gostava dos caras como amigo e eles me abraçaram fazendo-me sentir ser um deles até os dias de hoje.



Posso dizer que ouvir AlkanzA é um caminho sem volta, e agora fico feliz por ter a oportunidade de ouvir em primeira mão o novo disco "Caos Codificado" e após ver toda a batalha de Thiago Bonazza (baixo e vocal) é excelente olhar para a banda e ver que ele não faz mais as coisas sozinho e que agora conta com a experiência, dedicação e o talento de Renato Lopes (guitarra) e a garra e determinação de Pedro Victor (guitarra), e que após indefinições de bateristas, o cargo está ocupado com renovação total, Renê "Mosquito" (bateria). 

Estava tão ansioso que na primeira audição do disco, achei tudo perfeito e minuciosamente, na segunda edição comecei a prestar ainda mais atenção, tentando não ser um "fã cego" de uma banda e comecei a perceber alguns pontos positivos e outros negativos, por felicidade, bem mais positivos. Acredito, que por gosto pessoal (ou não), esperei que alguma música encerrasse com mais um refrão marcando, mas quase metade do disco (ou mais) fazem praticamente o mesmo tempo e as vezes encerram da mesma maneira, após o refrão mais algumas voltas e todos param juntos, sem soar nada. Não faço ideia se foi proposital, mas senti falta de uma música encerrando com o refrão.

Notei também nas letras uma certa 'insistência' com termos já presentes em outras letras do AlkanzA, como por exemplo: "bater forte..." e a cisma com "Caos". Algo que já foi apresentado em outros discos. Mas ainda sobre as letras, vejo nesse trabalho mais sangue no olho e uma banda mais solta comparado aos antigo registros. Vemos também na música "Desistir? Jamais!", termos como "cuzão" e entre outras formas diretas mostra a AlkanzA como eu sempre vi, sem papas na língua e sem paciência para tolerar assuntos que muitos dão o tapa e escondem a mão, o AlkanzA da o tapa e prepara o soco.

O instrumental traz uma pegada mais solta dos guitarristas e ficou claro que dessa vez, o Thiago teve preocupação total com as linhas do baixo e as métricas vocais, tendo as guitarras muito bem conduzidas pela dupla Renato Lopes e Pedro Victor, principalmente pelo primeiro citado, que é figurinha carimbada dos eventos da região sul catarinense de muito tempo, com bagagem de sobra para dar e vender, quer ouvir boas histórias da cena e conhecer um cara engraçado que se transforma em um monstro nos palcos? Renato Lopes é o nome do cara.

Por mais que tudo soe característico do AlkanzA, vejo uma pegada mais "Renato" nas linhas de guitarra, principalmente com pitadas do Heavy e do Death. O que me surpreendeu positivamente foi ouvir coisas que não esperava, como por exemplo em "Entre Órfãos e Bastardos", ela não é uma música típica da banda, mas é algo "experimental" como definiu Renato Lopes na audição do disco. 

As linhas de bateria são muito bem desenvolvidas, porém como Renê Mosquito entrou a pouco tempo, quem ficou responsável foi o baterista (que na minha opinião) mais encaixou com o estilo dos thrashers, Ramon Scheper. Ramon é um verdadeiro fã do "batuque" e por conta disso, ele deu um ar de groove em suas linhas compostas para o "Caos Codificado", por mais que hoje não esteja mais na banda, mesmo assim vale ressaltar que por mais virtuoso que o músico sempre foi, ele com o tempo aprendeu a tocar como o AlkanzA sempre precisou e por conta disso, temos linhas de bateria nesse disco, não poderia usar outra palavra se não: fantásticas.



Ressalto aqui, a importância da aproximação que o AlkanzA executou na audição antecipada com alguns colaboradores do cenário independente, estivemos na sala com Vinicius Saints do site O SubSolo, Luiz Harley Caires do site Underground Extremo, Roberta Gonçalves do site Cultura em Peso e do produtor Danniel Bala da Agosto Negro Produções. Euforicamente a banda serviu cervejas, refrigerantes e salgadinhos para todos os presentes e após uma audição completa, explicaram todo o processo de gravação, que foi realizada pelo gigante Orland Bússolo Junior do Orland Studios.

Entre todo o material já lançado pelos caras, esse é o "menos enlatado", ele soa como algo mais natural e não forçado. Isso se dá pois como o Thiago Bonazza mesmo declarou "esse é o primeiro disco do AlkanzA como banda, não foi feito apenas por mim como outros anteriores". Só nessa frase, é perceptível a realização do músico de ter mais pessoas abraçando o projeto como um todo e isso é gratificante por quem já viu sair sangue das mãos, dando murro em pedra.

Porém, "Caos Codificado" ficará registrado como o primeiro trabalho lançado em forma física, o que de certa forma, abrilhanta ainda mais o trabalho. Mas quando uma formação realmente trabalha em equipe e em prol de um projeto, não que tudo fique mais fácil, pois isso no Underground não existe, mas digamos que fica menos difícil. Em resumo, mal começamos o ano e temos um excelente material de Thrash Metal disponível e cada vez mais, o AlkanzA se consolida como uma das maiores bandas do segmento no estado de Santa Catarina, principalmente pelo trabalho profissional e incansável que veem fazendo. "Caos Codificado" é um exemplo de como uma banda que tem um característica, sempre manterá o nível de suas músicas e o único adendo realmente é uma renovação letrista, de resto, coitado dos meus tímpanos.


FORMAÇÃO
Thiago Bonazza - vocal e baixo
Renato Lopes - guitarra
Pedro Victor - guitarra
Renê Moskito - bateria

GRAVAÇÃO BATERIA
Ramon Scheper


TRACKLIST
01) Vala ou Viela
02) Por Todos Nós
03) Desistir? Jamais!
04) Colonizados
05) Enganando o Destino
06) Primitivo Canibal
07) Moendo Ossos
08) AlkanzA
09) Mundo Insano
10) Entre Órfãos e Bastardos 
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